Victor: The Blog

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sábado, fevereiro 18, 2006

Coloni - Sempre lá atrás


Outro dia contamos a história da Andrea Moda (que você pode ver olhando nosso arquivo), e mencionamos ela ser antigamente a Coloni. Talvez muitos gostariam de saber sobre as peripécias deste time que originou a Moda. Bem, mesmo sem ninguém pedir, mostrarei-lhes a história deste time italiano, que também curtia um fim-do-grid, mas que não teve tantas besteiras assim.

Enzo "O Lobo" Coloni teve uma carreira promissora como piloto. Na Fórmula 3 italiana venceu várias corridas e até conquistou o título em 1982 com um Ralt. No ano seguinte, ele mudaria de função e viraria dono de time, na mesma F3 Italiana, tendo como piloto Ivan Capelli. O futuro campeão da F3000 e piloto de March e Ferrari foi campeão da categoria em 1983, e também pela Coloni, o conterrâneo Alessandro Santin venceu a competição em 1984. No mesmo ano Coloni entraria na campeonato europeu da categoria com Capelli, e mais uma vez o título. Ainda na Fórmula 3 Italiana, a Coloni teria o vice com Alex Caffi em 1985 e mais um título com Nicola Larini no ano seguinte. Ainda em 1986, a Coloni entraria na F3000, com Gabriele Tarquini e outros pilotos no segundo carro.

Mas "O Lobo" queria era o Olimpo do automobilismo, a Fórmula 1. Durante a temporada de 1987, mesmo mantendo seus times nas competições de base, Coloni desenvolvia um chassis experimental para sua aventura na F1. No final do ano, nascia o FC187, pelas mãos de Roberto Ori. O carro era equipado com o básico Ford Cosworth DFZ. Alguns contratos de propaganda depois, a máquina estava pronta pra correr.

Nicola Larini foi o escolhido para ser o piloto em 2 GPs, Itália (Monza) e Espanha (Jerez). Na estréia da amarelinha Coloni, Larini não conseguiu fazer o grid, ficando em 27o (uma posição atrás do último do grid). Na corrida seguinte, na Espanha, Larini finalmente colocava a Coloni no domingo (largou em 26o). Mas o carro teria falha de suspensão na oitava volta, e Larini abandonaria a corrida em 22o lugar.

Tudo mudaria em 1988. Um carro novo (o meio pesadinho FC188, projetado por Ori), piloto novo (Gabriele Tarquini), mas o mesmo motor e patrocinadores.
A entrada de novas equipes (Rial, Dallara e Eurobrun) pos a Coloni na famigerada pré-qualificação de quinta-feira. Mas não era nada que a equipe não poderia superar.

Tarquini facilmente colocou a Coloni no grid nas cinco primeiras corridas, mas só terminaria duas delas: México em 14o e Canadá em 8o, aliás o melhor resultado da Coloni na sua história. Mas o encanto acabou e Tarquini não saiu da pré-qualificação nas quatro corridas seguintes. O carro voltaria ao grid na Hungria (onde terminou em 13o) e Bélgica (abandono). Como sinal de alívio, Enzo Coloni tiraria da AGS alguns de seus profisionais, entre eles o projetista Christian Vanderpleyn, Michel Costa e Fréderic Dhainault. A escuderia ainda largaria em Portugal (terminou em 11o),e terminaria o ano longe do grid. Apesar de ser um ano relativamente bom, a equipe tinha esperanças renovadas para 1989, principalmente pelo time de novos contratados.

O ano seguinte viria com mais novidades: a Coloni passaria a ter 2 carros no campeonato, e pra pilotar vieram o brasileiro Roberto Moreno (mais uma pra coleção) e o francês Pierre-Henri Raphanel. O francês, inclusive, trouxe grana do seu patrocinador, a emissora de TV francesa Le Cinq.
Por causa do 8o lugar de Tarquini no Canadá, Moreno evitaria a incômoda pré-qualificação, mas Raphanel teria que encará-la. Enquanto Vanderpleyn não lançava seu carro novo, o do ano passado foi revisado e rebatizado de C188B.

O começo não seria tão bom, com Moreno sem ir para o grid e Raphanel sem passar pela loteria da pré-qualificação. Eis que as ruas de Monte-Carlo chegam e um sopro de esperança passa nos boxes de Enzo. Não só Moreno chegaria ao grid (em 25o), mas Raphanel passaria pela pré-qualificação,e melhor, largaria em 18o! Na frente de monstros sagrados das pistas como René Arnoux e Nélson Piquet (aliás, seria a única vez que as duas Colonis estariam no grid numa mesma corrida). O chato foi que os dois carros não completaram a corrida, tendo problemas de câmbio.

O carro novo estrearia no GP do Canadá, em Montreal. Moreno seria o único a por o C3 no grid de largada, mas não terminaria a corrida. O carro era melhor, mas não rápido o suficiente, e a Coloni só voltaria ao grid em Silverstone, mais uma vez com o intrépido Roberto Moreno, mas de novo não chegaria ao final...e a falta de resultados jogaria Moreno de volta a Pré-Qualificação, da qual nem ele nem Raphanel sairiam na Alemanha. Pra pioriar, o francês sofreria um acidente,e mais ainda Vanderpleyn sairia do time.

Raphanel e Costa seriam os próximos a sair do time, após mais uma dupla falha de pré-qualificação na Hungria. O francês iria para a Rial, levando o patrocínio da Le Cinq, e foi subsituído por Enrico Bertaggia. O italiano não pode fazer muito, sendo o mais lento na suas tentativas de pré-qualificação. Após mais duas tentativas frustradas de tentar passar da quinta, Enzo Coloni chamaria os serviços de Gary Anderson, que já tinha trabalhando para ele na F3000. E até que a presença de Anderson (que depois trabalharia na Jordan e na Jaguar) melhorou um pouco as condições do carro. Moreno levaria a Coloni pela última vez ao grid no GP de Portugal, no Estoril. Mas um acidente no sábado, onde o brasileiro quebrou o bico, e problemas elétricos acabaram com as expectativas do time. O final de ano seria decepcionante, sem chances de largar nas 3 últimas corridas. Um ano que começaria promissor termina melancólico...mas tudo mudaria (de novo) em 1990.

Eis que o ano de 1990 começaria e algo interessante surgiu: a Subaru, conhecida dos fãs de WRC, se interessa pela F1 e faz um acordo para fornecimento de motores com a Coloni (os mesmos seriam preparados pela Motori Moderni). Ainda mais quando a montadora japonesa se torna sócia do time, através da Fuji Heavy Industries (companhia mãe da empresa). Coloni agora seria vice do novo chefe do time, o japonês Yoshio Takaoka. As cores também mudariam, passando a ser o branco, vermelho e verde da Fuji (que também são as cores da bandeira italiana, logo um traço de patriotismo de Enzo). O belga-franco-luxemburguês Bertrand Gachot seria o piloto do time para a temporada, usando um C3 revisado (o C3B)

Mas os problemas surgiram, mesmo antes da temporada começar. O motor da Subaru era pesado demais (mais do que os Cosworth) e o carro teve que ser reorganizado para suportar o peso do novo motor, que era esperado como promessa de um novo tempo. Porém...

Na primeira corrida do ano (GP dos EUA, em Phoenix) o carro não completou nem uma volta, por problemas na troca de câmbio. Pra piorar (ainda mais?) o carro era lento demais e não conseguiu sair da pré-qualificação durante parte do campeonato. E nos bastidores, problemas entre Coloni e o pessoal da Subaru causaram instabilidade nos boxes da equipe. As constantes brigas e indecisões sobre o comando fizeram Coloni largar o time em maio,e logo depois a Subaru romperia o contrato e devolve ao "Lobo" o comando do time. A equipe resolveu voltar aos Ford Cosworth de sempre a partir do GP da Alemanha, e ao amarelo dos velhos tempos. Até uma outra versão do C3, o C3C estrearia. Ainda que uma pequena melhora fora constatada, o carro continuava aquela merda (pardone) de sempre.

Por sorte, a Onyx faliu no GP da Bélgica, e sobraram apenas 3 carros na pré-qualificação para a Coloni vencer. E como eram a fraquíssima Life e os dois problemáticos Eurobruns, Gachot não teve problemas pra passar da quinta-feira, mas acabou em último na qualificação normal. Essa rotina seria a da Coloni pelo resto da temporada. Ainda que Life e Eurobrun desistissem de ir ao Japão e Austrália para as duas últimas corridas do ano, e colocassem automaticamente a Coloni na qualificação propriamente dita, ainda Gachot era lento demais. 1990 terminaria com a Coloni acompanhando a Life como as equipes que não colocaram um carro no grid de largada durante o ano inteiro! Mesmo com toda essa tragédia, um resto de esperança movia o time para 1991.

O carro era pelo menos novo, o C4, projetado por alunos da Universidade de Perugia (ITA). Era parecido com o C3C, mas as cores mudariam de amarelo para um azul/cinza/branco. O português Pedro Chaves foi contratado como piloto, garantindo um pouco de dinheiro de patrocínio para o já endividado escrete de Enzo. O time voltaria a pré-qualificação, por causa das novas entradas (Jordan e Lambo).

Até que no começo Chaves conseguia até disputar com seus adversários, mas os problemas surgiram e a Coloni voltava para o fim da fila, o que se tornou usual. O próprio Chaves se encheria disso e depois de fracassar no GP da sua terra, sairia do time, e ainda exigiu receber dinheiro de compensação... Pra encerrar com chave de bosta, o japonês Naoki Hattori fora contratado para as duas últimas corridas do ano, e...nada. O ano terminaria igual ao ano passado: um fracasso. Cansado de todos os problemas, Enzo venderia o time para o milionário Andrea Sassetti e...bem, a gente já falou dessa história antes...

E assim a Coloni fecharia as portas, mas não antes ser o embrião da maior falácia da F1 de todos os tempos.

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Por onde andam os "craques" da Coloni:

Nicola Larini fez uma carreira sem muitos sucesos na F1, embora fez o pódio no fatídico GP de San Marino de 1994, em 2o com a Ferrari. Osella, Ligier, Lambo e Sauber também seriam suas casas
Gabriele Tarquini já havia corrida 1 corrida pela Osella, e ainda fez carreira na AGS e Fondmetal e uma corrida na Tyrrell. Hoje tem uma carreira de sucesso nos Sportcars
Roberto Moreno enfrentou vários perrengues em sua carreira. Passou por Lotus, AGS, Eurobrun, teve um momento de glória fazendo dobradinha com Nélson Piquet pela Benetton, Jordan, Minardi, Andrea Moda e Forti Corse. Depois correria pela CART nos EUA
Pierre-Henri Raphanel ainda correria na Rial em 1989 antes de se aventurar em Le Mans e nos campeonatos de turismo japonês
Enrico Bertaggia teve um sucesso relativo na F2 Inglesa, na F300 japonesa e no turismo, participando das 24h de Le Mans. É claro, também "participou" da Andrea Moda
Bertrand Gachot correu pela Jordan, Lola, Venturi e Pacific antes de se tornar um vendedor de bebida energética (um dos maiores empresários do ramo)
Pedro Chaves se tornaria uma astro do rali local, participando de várias corridas e etapas da WRC
Naoki Hattori correria na CART nos anos 90.
Enzo Coloni voltou a F3000 nos anos 90, com seu time tendo pilotos como Giorgio Pantano e Zsolt Baumgartner

FICHA TÉCNICA
Nome: Coloni
Dono: Enzo Coloni
País: Itália
Temporadas: 5 (1987/91)
Corridas disputadas: 65
Pilotos: Nicola Larini (ITA, 87), Gabriele Tarquini (ITA, 88), Roberto Moreno (BRA, 89), Pierre-Henri Raphanel (FRA, 89), Enrico Bertaggia (ITA,89), Bertrand Gachot (FRA, 90), Pedro Chaves (POR, 91) e Naoki Hattori (JPN, 91)
Melhor colocação: 8o (GP do Canadá 1988)

Fontes: F1 Rejects , Grand Prix.com e Chicane F1

1 Comments:

At 7:46 PM, Anonymous Rafael Gomes said...

Olá, Victor!

Tudo bem?

É o seguinte: sou do www.bestlap.com.br , e achamos seus textos sobre F-1 muito legais.

Convido você a acessar também o Fórum Velocidade (FoVe), que é vinculado ao BL. Dá uma passadinha por lá, se quiser.

De repente, pode rolar uma parceria, caso se identifique com o espaço.

Abraço

Rafa Gomes

 

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