Victor: The Blog

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quarta-feira, março 22, 2006

Osella: A Minardi dos Anos 80

Durante os anos finais da década de 80 e durante todos os 90, a Minardi quase que monopolizou as atenções do público por ser a simpática equipe pequena, que com carros nem tão competitivos e pilotos que variavam entre o bom e o pior, aguentava as mazelas do fundo do grid e disputava as temporadas de F1 apenas para tentar resultados melhores. E é claro, alegrar os fãs de corridas.
Esse papel foi bem feito por uma outra equipe, também italiana. Uma equipe que nunca teve resultados esplêndidos e nem pilotos de ponta, e muito menos transbordava de dinheiro, mas que participou ativamente e foi uma das principais equipes do fundo do grid da década de 80. Seu nome: Osella.

Sua história começa ainda na década de 60, através de Vicenzo "Enzo" Osella (como não poderia deixar de ser), que no seu início corria com carros da Abarth, em campeonatos italianos de turismo e subida de montanha. Quando a FIAT comrprou a Abarth, Enzo assumiu então a direção esportiva do time e fundou seu time na cidade italiana de Volpiano (sim, o time se chamaria Osella). Foram várias vitórias, principalmente com Arturo Merzario ao volante. Em 1974 ele se encheu dos carros-esporte e se mandou para os monopostos.

Sua estréia foi na F2 em 1974, com o FA2 de motor BWM e dirigido por Giorgio Francia. Nos anos seguintes Osella fez carros de F2, F3 e esporte, sempre com resultados bons e ruins. O time foi vice do Mundial de Marcas em 1978 com Francia, Lella Lombardi e "Pal Joey", enquanto que em 1979 um novo FA2 conseguiu vitórias com Eddie Cheever na F2.

Não demoraria muito para que Enzo quisesse chegar a categoria máxima do automobilismo. Em 1980 a Osella Squadra Corse debutaria no Mundial de F1 com um FA1/A desenhado por Giorgio Stirano, patrocinado pela Denim, com motor Ford Cosworth DFV e dirigido pelo norte-americano Eddie Cheever. A estréia foi no GP da Argentina de 1980, onde Cheever não entraria no grid de largada. A primeira largada de um Osella fora no GP da África do Sul, terceiro da mesma temporada. Mas Cheever sofreria um acidente e abandonaria o GP. A Osella só terminaria um GP: O GP da Itália, onde Cheever terminaria em 12o, já usando um novo carro, o FA1B, desenhado por Giorgio Valentini.

A temporada de 1981 prometia ser melhor, mantendo o patrocínio da Denim, e tendo como pilotos o italiano Beppe Gabbiani e o argentino Miguel Angel Guerra. O ano foi demasiadamente instável para a Osella: Gabbiani e Guerra oscilavam entre não-qualificações e abandonos (Gabbiani não terminaria nenhuma corrida do ano). Guerra foi embora depois do GP de San Marino e foi substituído por Piercarlo Ghinzani, logo na estréia terminou em 13o o GP da Bélgica, mas não iria para o grid em Monaco e foi substituido por Giorgio Francia (que não se qualificou para o grid do GP da Espanha), e mais tarde pelo veterano francês Jean-Pierre Jarier. Jarier, inclusive conseguiu os dois melhores resultados da equipe naquela temporada (dois 8os, na Inglaterra e Alemanha). Mesmo com a estréia do FA1C (com patrocínios da Saima e da Pioneer) de Valentini no GP da Itália, os pontos teimavam em não chegar para a esquadra de Enzo. Pelo menos Jarier ficaria para 1982,e teria o italiano Ricardo Paletti como parceiro.

O mesmo FA1C foi mantido para o começo da temporada, e as coisas pareciam ser um tanto melhores para a Osella: Jarier chegou em 4o lugar no GP de San Marino e levou os primeiros 3 pontos para o time (diga-se de passagem, esse GP foi boicotado pela maioria das equipes devido a rivalidade FISA X FOCA). Aliás Jarier se clasificaria com certa frequencia, enquanto Paletti só largaria em 2 GPS: Detroit e Canadá. Aliás, o do Canadá foi de triste memória: Paletti sofreria um acidente após se chocar com a Ferrari parada de Didier Pironi no momento da largada daquela corrida. Infelizmente ele morreria. Em sinal de luto, a Osella só manteve 1 carro para o resto da temporada, para Jarier, e a rotina de quebras continuaria (após o acidente, a Osella só terminaria 1 GP: O da Holanda, com o 14o lugar de Jarier). No GP da Alemanha, a nova FA1D estrearia, com patrocínio da Kelemata e projeto de Tony Southgate (ex-Shadow e Arrows).

A FA1D seria o carro do começo da temporada 1983, e a Osella voltaria a ter 2 pilotos: Piercarlo Ghinzani e Corrado Fabi (irmão de Teo Fabi). A Kelemata continuaria a patrocinar e o carro agora teria os motores da Alfa Romeo, a partir do GP de San Marino (para o carro de Ghinzani. Só a partir do GP da Inglaterra os dois carros teriam o Alfa). Também em Ímola estrearia o FA1E (criação de Southgate). A temporada seria de esquecer, apenas a destacar o 10o lugar de Fabi no GP austríaco, porque nos outros...melhor esquecer mesmo.

1984 chegou e o FA1F (agora turbo) já seria lançado no GP do Brasil, apenas pilotado por Ghinzani, e mais tarde tendo o austríaco Jo Gartner como companheiro. Pontos, foram apenas 4: o 5o lugar de Ghinzani em Dallas e o 5o de Gartner na Itália. No fim, foi um ano melhor que os outros, com vários términos de corrida, e é claro, pontos.

O FA1F ainda correria as 3 primeiras corridas de 1985, quando apareceu o FA1G, que praticamente era o mesmo carro. Mas a falta de resultados e os frequentes abandonos fora o suficiente para que Ghinzani fosse substituído pelo holandês Huub Rothengather (que veio com uma bela grana). Infelizmente nem ele conseguiu botar o carro nos eixos, e tudo permaneceu o mesmo.

Em 1986 O FA1F reapareceria junto com O FA1G nas corridas com a dupla formada por Ghinzani e o alemão Christian Danner (mais pela falta de dinheiro do que uma forma de ter melhor resultado). Danner fora substituído no GP de Detroit pelo Canadense Allen Berg (com dinheiro e patrocínio da Landis & Gyr), e até um FA1H apareceria pilotado por Ghinzani na Inglaterra, mas o melhor que a Osella pode oferecer foi o 11o lugar do italiano no GP da Áustria, usando o FA1G. Berg ainda seria substiuído por Alex Caffi, apenas no GP da Itália, mas mesmo assim não melhorou muito.

Passemos para 1987, e a Osella lançava o FA1I, ainda com motores da Alfa (que já haviam provado não ser competitivos o bastante). Dois italianos (Alex Caffi e Gabriele Tarquini) e um suíço (Franco Forini) se revezaram pela temporada inteira tentando fazer o carro dar certo. Só uma única vez o carro viu bandeira quadriculada: o 12o lugar de Caffi em San Marino. No resto foi só não qualificação e abandono...o de sempre

Indo pra 1988, a Alfa resolve desistir de vez da equipe, mas sem parar de fornecer os motores, que foram rebatizados como Osella (criativo não?). Viria o FA1L, e o azul característico do time virou preto. Nada que fosse assim tão importante para bons resultados, mas...
E até que Nicola Larini (O piloto daquele ano) aguentou bem a barra, apesar da equipe ter terminado apenas 3 corridas, a destacar o 9o em Monte Carlo. No final do ano Enzo mandou a Alfa ir embora e trouxe os Ford Cosworth de volta e ainda o dinheiro e apoio da Fondmetal (empresa fabricante de rodas para corridas), e de seu dono Gabriele Rumi. Disso saiu o agora de cor branca FA1M89, mantendo Larini e trazendo Ghinzani de volta ao time (tem gente que insiste...)Não seria bastante dizer que o carro não era tão bom assim, apesar de Larini ter largado em 10o no Japão (e 11o na Austrália) e do mesmo ter sido o corajoso a ser o único a fazer o carro terminar uma corrida (o 12o lugar em Ímola). Enquanto isso Ghinzani teria muitas dificuldades com o carro nas pré-qualificação. Enfim...1989 ainda não seria o ano da Osella (como se ainda tivesse chance de ter sido).

1990 é o capítulo final da aventura de Osella na F1. Rumi aumentaria suas cotas no time e a equipe é renomeada Fondmetal Osella. Surge o FA1ME, para ser pilotado pelo francês Olivier Grouillard. O ano derradeiro seria um pouco melhor, com a equipe se qualificando com certa frequencia e terminando eventualmente corridas. O melhor desempenho do time foram dois 13os: no Canadá e na Austrália. No fim do ano, Osella vende sua parte para Rumi e sai da F1. Então Rumi muda o nome da equipe para Fondmetal, mas isso fica pra uma próxima história.

*****
O Paradeiro do pessoal da Osella:

Eddie Cheever: Continuou um bom tempo na F1, sendo um razoável piloto da Tyrrell, Ligier, Renault, Alfa Romeo e Arrows. Depois voltaria aos EUA para correr, vencer as 500 Milhas de Indianápolis em 1998 e virar dono de time da IRL
Miguel-Angel Guerra: Sem informações do seu paradeiro
Beppe Gabbiani: Voltou a F2 e fez ótimas temporadas. Depois passaria a ser um eventual corredor de turismo e carros-esporte.
Piercarlo Ghinzani: Entre suas passagens pela Osella, correria com a Ligier, a Toleman e a Zakspeed, sem sucesso. De vez em quando corre na Itália
Giorgio Francia: Correu em carros de turismo até o fim dos anos 90, com sucesso
Jean-Pierre Jarier: Ex-Shadow, Lotus e Tyrrell, Jarier ainda teria uma temporada terrível pela Ligier em 1983, e daí abandonou a F1. Escapou com vida de um acidente de helicóptero e correu em eventos de turismo francês e da Porsche
Ricardo Paletti: Como você já leu, ele faleceu no GP do Canadá de 1982, após um choque com a Ferrari de Didier Pironi.
Corrado Fabi: Campeão europeu da F2 em 1982, correu algumas corridas com a Brabham em 1984, depois indo para os EUA junto com o irmão Teo, e depois abandonando o esporte pra cuidar dos negócios de família
Jo Gartner: Teve uma carreira boa nos carros-esporte, vencendo as 12H de Sebring de 1986, em companhia de Bob Akin e Hans Stuck. Ele morreria num grave acidente nas 24H de Le Mans daquele ano, com um Porsche.
Huub Rothengatter: Dirigiu sem sucesso pela Zakspeed em 1985. Depois reapareceria na F1 como empresário de Jos Verstappen
Christian Danner: Correu por Zakspeed, Arrows e Rial, obtendo pela última um 4o lugar no GP dos EUA em 1989. Danner depois correu no Japão, nos EUA, na DTM e hoje é comentarista de TV
Allen Berg: Fez sua fama no México, correndo na F3 de lá. Hoje é dono de equipe em categorias menores do automobilismo norte-americano
Alex Caffi: Correria pela Dallara e pela Arrows/Footwork, foi enganado pela Andrea Moda e depois desapareceu
Gabriele Tarquini: Correu pela Coloni, AGS e Fondmetal, e ainda fez uma participação com uma Tyrrell em 1995. Depois foi fazer sua fama nos campeonatos de turismo mundo afora
Franco Forini: Correu na F3 Alemã e Italiana, participou de corridas de Rali e Kart, e hoje é dono de postos de gasolina na Suíça
Nicola Larini: Já tinha uma experiência na Coloni, e então correu pela Ligier, Lambo Modena, foi piloto de testes da Ferrari (inclusive correu algumas corridas por ela) e correu pela Sauber. Virou piloto de turismo na Itália
Olivier Grouillard: Passou por Ligier, Fondmetal e Tyrrell, antes de se mudar para os EUA, fracassar e ir para os carros-esporte, sem muito sucesso
Enzo Osella: reconstruiu a equipe nos carros-esporte, com sucesso, ganhando campeonatos de subida de montanha e de turismo

Ouvindo: Hateen - 1997

FONTES:
Wikipedia
F1 Rejects
Grandprix.com
Chicane F1
Osella - Site Oficial

1 Comments:

At 12:40 PM, Anonymous Leonardo said...

Victor, muito legal o seu blog ...

Queria te mandar o meu site para vc avaliar ...

http://www.f1online.com.br

[]s
Leo

 

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